terça-feira, 25 de agosto de 2015

Mozart por Norbert Elias: a sociologia de um gênio

O tema desta semana: Haydn e Mozart

A respeito de Mozart, gostaria de recomendar um livro excepcional: chama-se Mozart: sociologia de um gênio da autoria de Norbert Elias (editado no Brasil pela Zahar).

Norbert Elias é um dos sociólogos mais importantes do século 20. Nasceu em Breslau, Alemanha, em 1897 e morreu em Amsterdã em 1990.

Formado pelas Universidades de Breslau e Haidelberg, foi professor da Universidade de Leicester, na Inglaterra, entre 1945 e 1962.

O reconhecimento tardio de sua obra ocorreu apenas no final dos anos 60, quando Elias já tinha 70 anos de idade, com a publicação do seu livro A sociedade da corte.


Escrito em 1991, Mozart: sociologia de um gênio foi publicado no Brasil em 1995 e está disponível nas melhores livrarias.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Um diretor, um pianista

Um diretor de cinema especializado em documentários sobre pianistas foca suas lentes no excêntrico David Fray

A quarta-feira está chegando com mais uma edição do curso de história da música. Nesta semana teremos Bach e Handel e vamos assistir a um trecho de um documentário sobre o pianista francês David Fray.

Nascido em 1981, Fray ganhou destaque por suas interpretações e excentricidades, assinaladas em 2008 pelo documentário intitulado Swing, Sing and Think (Dance, cante e pense, em tradução livre).

Seu jeito de tocar, com muitas caretas e contorções, fez com que fosse comparado a Glenn Gould. No entanto Fray diz que uma influência muito mais importante é a de Wilhelm Kempff: “O que eu amo no seu jeito de tocar é que ele faz o piano cantar e falar. Este é o meu maior objetivo”.

O diretor do documentário, Bruno Monsaingeon, se especializou em filmes sobre pianistas, e tem três outros em seu currículo Richter: The Enigma (1998), Glenn Gould: Hereafter (2006) e Piotr Anderszewski - Voyageur intranquille (2009).

Fray toca o concerto para piano em lá maior de Bach (número 4, BWV 1055), acompanhado da Deutsche Kammerphilharmonie Bremen.  Este ótimo documentário pode ser visto em:


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Uma radio para espantar o frio

Conheça a Minnesota Public Radio

A NPR (National Public Radio) é uma espécie de BBC dos Estados Unidos, com afilhadas espalhadas pelos 51 estados. Poucas afilhadas, no entanto, são tão interessantes quanto a MPR, do distante estado de Minnesota, no extremo norte do país, já na fronteira com o Canadá. No inverno o frio ali é gelado, e talvez por isso uma emissora de radio seja tão importante. A MPR mantém um site que transmite em streaming a programação de música clássica da emissora, e ainda tem mais, muito mais. Na edição que está no ar, por exemplo, uma entrevista com o bandolinista israelense Avi Avital e na seção “Learning to listening” um podcast sobre a Sherazade de Rimsky-Korsakov. Tudo sempre editado com muita qualidade.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Curso de história da música começa dia 5 de agosto

O curso de história da música vai acontecer às quartas-feiras, das 20:30 às 22:30, na RN Difusão Cultural (R. Dr. Vila Nova, 284, Vila Buarque, São Paulo), começando dia 5 de agosto.

O valor da mensalidade é de R$ 300,00 (trezentos reais). Para se inscrever basta mandar uma mensagem para musicalidade2015@gmail.com

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Gesualdo, a música e os fantasmas

Trancado em seu castelo depois de matar a mulher e o amante, Carlo Gesualdo antecipou o expressionismo alemão. Tema para o cineasta alemão Werner Herzog

Carlo Gesualdo (1566-1613) foi um compositor italiano da Renascença, conhecido pelo uso de uma linguagem cromática que que só seria ouvida novamente no final do século 19. De origem nobre, herdou o título de Príncipe de Venosa (pequena cidade na província de Potenza, na região de Basilicata, sul da Itália) do irmão.

Em 1586 casou com uma prima em primeiro grau, Dona Maria D’Avalos. Não demorou muito para descobrir estava sendo traído. O compositor fingiu que sairia em uma viagem para caçar e armou uma cilada para os amantes. Ao voltar para o Palácio San Severo, em Nápoles, pegou a mulher e o amante em flagrante delito e matou os dois, ali mesmo, ainda na cama.

Depois disso Gesulado passou o resto da vida trancado em seu castelo, que ainda existe, em escombros. Um tema para o diretor alemão Werner Herzog, que tem uma atração especial pelo bizarro. Gesualdo: Death for Five Voices (“Morte para cinco vozes”) é o nome do documentário que ele dirigiu em 1995.

O filme explora a música de Gesulado, tão avançada para a época que alguns o consideram um precursor do expressionismo alemão, seu castelo mal-assombrado onde viveu os últimos 16 anos de sua vida, o assassinato da mulher e do amante. Os depoimentos são em italiano, e a narração é no inglês inconfundível do próprio diretor.


O documentário, brilhante como tudo que Herzog faz, está no YouTube e pode ser visto em https://www.youtube.com/watch?v=B6iaghGYSjc.

terça-feira, 7 de julho de 2015

A sagração da primavera

A estreia da obra de Stravinsky foi um dos maiores escândalos da história da música

Fazia calor em Paris naquela quinta-feira, 29 de maio de 1913. No começo da noite uma multidão começou se aglomerar em frente ao Teatro do Champs-Élysées, onde o empresário Serge Diaghlev apresentava uma série de espetáculos de música e dança.

Rumores circularam o dia inteiro sobre a nova estreia, o balé A sagração da primavera, com música da autoria do então jovem compositor russo Igor Stravinsky, e coreografia de Nijinsky.

A noite começou com uma sonolenta remontagem de As sylphides de Chopin. Após a pausa, o teatro escureceu novamente. E então um fagote, tocando no seu registro mais alto, como se fosse em falsete, flutuou sobre a orquestra. Feixes de melodias enredadas, como se tivessem brotado da terra, ecoaram pela sala. “Terror sagrado em plena luz do dia”, definiu Stravinsky no programa.

A audiência ouvia em relativo silêncio, embora a música, cada vez mais intensa e cheia de dissonancias, causasse aqui e ali a sonora movimentação de pés, pulseiras e murmúrios. E então veio o choque: na forma de harmonia, ritmo, imagem e movimento, tudo ao mesmo tempo. Ao invés dos floreios elegantes do balé clássico a coreografia de Nijinsky era uma quase anarquia de pulos ferozes e selvagens, os bailarinos circundando nervosamente o palco em um misterioso ritual pagão, mágico e primitivo.

Gritos de protesto e vaias começaram a emergir dos camarotes, e da seção onde ficavam os lugares mais caros da plateia. Logo ficou impossível ouvir a orquestra, mesmo o enorme estampido final. Foi um dos maiores escândalos da história da música.

Mas não durou muito.

Logo os parisienses foram se dando conta que as ousadias harmônicas e rítmicas de Stravinsky não eram tão inéditas assim. O prelúdio Tarde de um fauno, de Debussy, havia causado barulho semelhante na temporada anterior.

As apresentações seguintes lotaram, e em questão de dias, a oposição sumiu: a vaia virou aplauso, a confusão virou deleite. Quando estreou de novo, menos de um ano depois, a obra foi saudada com uma enorme exaltação, e desde então passou a ser alvo de uma adoração febril. Stravinsky não podia mais andar nas ruas de Paris sem que uma multidão o seguisse.


Assim Alex Ross descreve a estreia da Sagração no seu O resto é ruído (Cia das Letras, 2009).

Veja um trecho da coreografia de Maurice Béjart para a obra de Stravinsky.

E como teria a sido a estreia da Sagração da primavera no documentário da BBC Riot at the Rite. (Obs: o concerto começa por volta dos 48 minutos).

A noite do mais célebre escândalo da história da música recriada pelo diretor Jean Kounen, no filme Coco Chanel e Igor Stravinsky. (Por volta dos 6 minutos).