quarta-feira, 29 de julho de 2015

Uma radio para espantar o frio

Conheça a Minnesota Public Radio

A NPR (National Public Radio) é uma espécie de BBC dos Estados Unidos, com afilhadas espalhadas pelos 51 estados. Poucas afilhadas, no entanto, são tão interessantes quanto a MPR, do distante estado de Minnesota, no extremo norte do país, já na fronteira com o Canadá. No inverno o frio ali é gelado, e talvez por isso uma emissora de radio seja tão importante. A MPR mantém um site que transmite em streaming a programação de música clássica da emissora, e ainda tem mais, muito mais. Na edição que está no ar, por exemplo, uma entrevista com o bandolinista israelense Avi Avital e na seção “Learning to listening” um podcast sobre a Sherazade de Rimsky-Korsakov. Tudo sempre editado com muita qualidade.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Curso de história da música começa dia 5 de agosto

O curso de história da música vai acontecer às quartas-feiras, das 20:30 às 22:30, na RN Difusão Cultural (R. Dr. Vila Nova, 284, Vila Buarque, São Paulo), começando dia 5 de agosto.

O valor da mensalidade é de R$ 300,00 (trezentos reais). Para se inscrever basta mandar uma mensagem para musicalidade2015@gmail.com

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Gesualdo, a música e os fantasmas

Trancado em seu castelo depois de matar a mulher e o amante, Carlo Gesualdo antecipou o expressionismo alemão. Tema para o cineasta alemão Werner Herzog

Carlo Gesualdo (1566-1613) foi um compositor italiano da Renascença, conhecido pelo uso de uma linguagem cromática que que só seria ouvida novamente no final do século 19. De origem nobre, herdou o título de Príncipe de Venosa (pequena cidade na província de Potenza, na região de Basilicata, sul da Itália) do irmão.

Em 1586 casou com uma prima em primeiro grau, Dona Maria D’Avalos. Não demorou muito para descobrir estava sendo traído. O compositor fingiu que sairia em uma viagem para caçar e armou uma cilada para os amantes. Ao voltar para o Palácio San Severo, em Nápoles, pegou a mulher e o amante em flagrante delito e matou os dois, ali mesmo, ainda na cama.

Depois disso Gesulado passou o resto da vida trancado em seu castelo, que ainda existe, em escombros. Um tema para o diretor alemão Werner Herzog, que tem uma atração especial pelo bizarro. Gesualdo: Death for Five Voices (“Morte para cinco vozes”) é o nome do documentário que ele dirigiu em 1995.

O filme explora a música de Gesulado, tão avançada para a época que alguns o consideram um precursor do expressionismo alemão, seu castelo mal-assombrado onde viveu os últimos 16 anos de sua vida, o assassinato da mulher e do amante. Os depoimentos são em italiano, e a narração é no inglês inconfundível do próprio diretor.


O documentário, brilhante como tudo que Herzog faz, está no YouTube e pode ser visto em https://www.youtube.com/watch?v=B6iaghGYSjc.

terça-feira, 7 de julho de 2015

A sagração da primavera

A estreia da obra de Stravinsky foi um dos maiores escândalos da história da música

Fazia calor em Paris naquela quinta-feira, 29 de maio de 1913. No começo da noite uma multidão começou se aglomerar em frente ao Teatro do Champs-Élysées, onde o empresário Serge Diaghlev apresentava uma série de espetáculos de música e dança.

Rumores circularam o dia inteiro sobre a nova estreia, o balé A sagração da primavera, com música da autoria do então jovem compositor russo Igor Stravinsky, e coreografia de Nijinsky.

A noite começou com uma sonolenta remontagem de As sylphides de Chopin. Após a pausa, o teatro escureceu novamente. E então um fagote, tocando no seu registro mais alto, como se fosse em falsete, flutuou sobre a orquestra. Feixes de melodias enredadas, como se tivessem brotado da terra, ecoaram pela sala. “Terror sagrado em plena luz do dia”, definiu Stravinsky no programa.

A audiência ouvia em relativo silêncio, embora a música, cada vez mais intensa e cheia de dissonancias, causasse aqui e ali a sonora movimentação de pés, pulseiras e murmúrios. E então veio o choque: na forma de harmonia, ritmo, imagem e movimento, tudo ao mesmo tempo. Ao invés dos floreios elegantes do balé clássico a coreografia de Nijinsky era uma quase anarquia de pulos ferozes e selvagens, os bailarinos circundando nervosamente o palco em um misterioso ritual pagão, mágico e primitivo.

Gritos de protesto e vaias começaram a emergir dos camarotes, e da seção onde ficavam os lugares mais caros da plateia. Logo ficou impossível ouvir a orquestra, mesmo o enorme estampido final. Foi um dos maiores escândalos da história da música.

Mas não durou muito.

Logo os parisienses foram se dando conta que as ousadias harmônicas e rítmicas de Stravinsky não eram tão inéditas assim. O prelúdio Tarde de um fauno, de Debussy, havia causado barulho semelhante na temporada anterior.

As apresentações seguintes lotaram, e em questão de dias, a oposição sumiu: a vaia virou aplauso, a confusão virou deleite. Quando estreou de novo, menos de um ano depois, a obra foi saudada com uma enorme exaltação, e desde então passou a ser alvo de uma adoração febril. Stravinsky não podia mais andar nas ruas de Paris sem que uma multidão o seguisse.


Assim Alex Ross descreve a estreia da Sagração no seu O resto é ruído (Cia das Letras, 2009).

Veja um trecho da coreografia de Maurice Béjart para a obra de Stravinsky.

E como teria a sido a estreia da Sagração da primavera no documentário da BBC Riot at the Rite. (Obs: o concerto começa por volta dos 48 minutos).

A noite do mais célebre escândalo da história da música recriada pelo diretor Jean Kounen, no filme Coco Chanel e Igor Stravinsky. (Por volta dos 6 minutos).

sábado, 4 de julho de 2015

Pernalonga visita Wagner

Ninguém menos do que Richard Wagner inspira um dos mais celebrados episódios do coelho

"What's Opera, Doc?" é um desenho animado dirigido por Chuck Jones para a Warner Bros Cartoons. A história traz o personagem Elmer Fudd caçando o coelho Pernalonga em uma paródia das óperas de Wagner, particularmente de O anel dos nibelungos, O holandês voador e Tannhauser. 

Lançado pela Warner em 1957, o episódio também é conhecido como Kill the Wabbit, numa referência à ária cantada por Elmer, baseada na passagem inicial da Cavalgada das Valquírias.

Em 1994, What's Opera, Doc? foi escolhido o número um entre os 50 melhores desenhos animados de todos os tempos.

Veja um trecho de "What's Opera, Doc?"

Curso de história da música começa dia 5 de agosto

Usando recursos multimídia - imagens projetadas em telão e audição de exemplos musicais - o curso vai explorar as relações entre a história da música e a pintura, a política, a filosofia e a ciência

O curso de história da música vai acontecer às quartas-feiras, das 20:30 às 22:30, na RN Difusão Cultural (R. Dr. Vila Nova, 284, Vila Buarque, São Paulo).

O valor da mensalidade é de R$ 300,00 (trezentos reais). Para se inscrever basta mandar uma mensagem para musicalidade2015@gmail.com

O programa:

Barroco I: Monteverdi, Scarlatti, Vivaldi
Barroco II: Handel e Bach
Classicismo: Mozart e Haydn
Beethoven
Romantismo: Brahms, Chopin, Tchaikovsky
Nacionalismo: o grupo dos cinco na Rússia
Pós-romantismo: Wagner, Mahler, Strauss
Impressionismo: Debussy e Ravel
Expressionismo: música na república de Weimar
Música do século 20: Stravinsky
Bartok
Prokofiev
Villa-Lobos
Música na União Soviética
Música nas Américas
Música hoje